sábado, 14 de maio de 2011

SAGA DE UM GOLEIRO


Vou pedir licença;
Para contar a minha história;
Como um goleiro;
Tem suas perdas e suas glórias;
Mesmo amando o esporte;
O coração é de um menino;
Que ama e chora por dentro;
E segue seu destino...

Desde cedo;
Assumi minha paixão;
De ser goleiro;
De ser um campeão;
Nas temporadas;
Sempre fui batalhador;
Consegui respeito;
Por ser um bom defensor...

Do alambrado;
Uma morena me aplaudia;
Seus cabelos eram longos;
E seus olhos negros me sorriam;
Pulsou meu coração;
E naquele dia perdemos a partida;
Mas um grande amor;
Surgia em minha vida...

Naquele dia;
Começou o meu dilema;
Apaixonado por aquela morena;
Cada defesa que eu efetuava;
Ela me aplaudia;
E eu, todo prosa, sorria...

Então começamos;
Um namorico apaixonado;
Ela vivia na entrada do vestiário;
Meus planos já estavam;
Traçados em meu coração;
De tê-la como esposa;
Ao pedir a sua mão...

Que tristeza abalou meu coração;
Quando seu pai;
Negou-me sua mão;
Desprezou-me;
Por eu ser um goleiro;
Para a sua filha;
Só queria um artilheiro...

Mas a gente se encontrava;
Sempre às escondidas;
E vivia aquele amor, proibido;
Cada novo encontro;
Era sempre complicado;
Mas o nosso amor;
Era tão claro...

Decidimos então fugir;
Para outras temporadas;
Queríamos seguir;
Marcamos um lugar;
Para a gente se encontrar;
Mas na hora marcada;
Ela não estava lá...

Voltei desenxabido;
Triste e lágrimas ao vento;
Como se estivesse;
Numa partida ao relento;
E tudo em mim chorava por dentro...
E tudo em mim chorava por dentro...

Vieram me contar;
Que mandaram ela para longe;
Onde o vento se esconde;
E o som da torcida se desfaz;
Um fruto do nosso amor;
Ela estava a esperar...

Fiquei desesperado;
Com tamanha maldade;
Pensei fazer uma desgraça;
Mas me controlei;
E saí pelo mundo;
Um goleiro magoado;
Só por que um dia eu amei...

Passaram muitos anos;
E eu pelo mundo;
De temporada em temporada;
Sempre a viajar;
Era um grande goleiro;
Mas meu coração;
Continuava a penar...

Um dia eu fui convidado;
Para uma temporada,
Naquela região;
Pensei em não voltar lá;
Mas um bom goleiro;
Nunca pode vacilar...

Nunca mais soube de nada;
Do que por lá acontecia;
Eu corria da minha dor;
E da minha agonia;
Ser sempre campeão;
Era a minha alegria...

Depois de dezessete anos;
Preparei-me para voltar;
Para ser campeão;
Queria aquele prêmio;
Para lavar meu coração;
Mas sabia que por lá;
Existia um goleirão...

Começou a temporada;
Eram muitas partidas acirradas;
Na final eu fechava minha vala;
E ele também a dele fechava;
Eu nos vestiários;
E ele por lá estava...

Eu fiquei impressionado;
Como ele era competente;
Tão jovem e amante do esporte;
E também tão insistente;
Eu fechava a minha meta;
E ele sempre a me encarar de frente...

Chegou o grande momento;
De ir nos pênaltis disputar;
Os cobradores eram os melhores;
Ele não iria eles parar;
E sorri comigo mesmo;
“Desta vez eu vou ganhar...”

Quando me preparava;
Para entrar sob o arco;
Quando olhei de lado;
Fitei triste o alambrado;
Quando vi uma mulher;
Aquela a quem eu amava...

Segurei na trave;
Para não cair;
Tremi e fiquei nervoso;
Quando eu a vi;
Animando e abraçando;
O jovem goleiro perto de mim...

Entrei sob o gol como um louco;
O batedor adversário a percebeu;
Andei foi longe das bolas;
“Isso nunca antes aconteceu!”

O jovem goleiro entrou sob o arco;
E eu fiquei a observar;
Ela vibrava;
Ela aplaudia;
E ele a cobrança a esperar;
Defendeu a bola sobre a faixa;
Ganharam o primeiro lugar...

Fiquei desconsolado;
Envergonhado eu fiquei;
Perdi aquelas penalidades,
Isso até eu nem liguei;
Mas perder aquele amor;
Com isso eu não me conformei...

Ela veio sorridente;
Em minha direção;
E trouxe o jovem goleiro;
Pegado em sua mão;
Olhou-me nos meus olhos;
E falou com atenção:
“Este é o nosso filho;
Que você não conheceu;
Sempre quis ser um goleiro;
Como você um campeão;
E pela primeira vez;
Quer a sua aceitação...”

Eu chorava de feliz;
Abraçado ao meu filho;
Um goleiro como eu;
Eu nunca tinha visto;
Posso confessar;
O maior prêmio;
Deus me deu...

PARÓDIA DA MÚSICA SAGA DE UM VAQUEIRO

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