segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

CONTO DO VIGÁRIO

O diabo quando não vem;
Manda um secretário;
Eu não vou nessa garota;
Que eu não sou otário...

O diabo quando não vem;
Manda um secretário;
Eu não vou nessa garota;
Que eu não sou otário...

Eu reconheço que ela é muito boa;
Mas não vou nessa garota que dá confusão;
Quando ela passa é provocando um desafio;
Sinto logo um arrepio no meu coração...

Eu não vou na onda;
Nem no conto do vigário;
Que o diabo quando não vem;
Manda sempre um secretário...

Não estou na onda;
Nem no conto do vigário;
Que o diabo quando não vem;
Manda sempre um secretário...

Mas o diabo quando não vem;
Manda um secretário;
Eu não vou nessa garota;
Que eu não sou otário...

O diabo quando não vem;
Manda um secretário;
Eu não vou nessa garota;
Que eu não sou otário...

Quando ela chega no salão;
É aquele rebuliço, é aquela confusão;
Dá um sorriso e se senta na cadeira;
Mas de tal maneira que eu vou te contar...

Não vou na onda;
Nem no conto do vigário;
Que o diabo quando não vem;
Manda sempre um secretário...

Não estou na onda;
Nem no conto do vigário;
Que o diabo quando não vem;
Manda sempre um secretário...

O diabo quando não vem;
Manda um secretário;
Eu não vou nessa garota;
Que eu não sou otário...

O diabo quando não vem;
Manda um secretário;
Eu não vou nessa garota;
Que eu não sou otário...

JACKSON DO PANDEIRO

PARÓDIA BY MAIRTON LIMA

sábado, 3 de janeiro de 2015

A DAMA TRANSPARENTE

À noite, sobre minha cama;
Olhar fixo no teto, mãos fechadas;
Uma visão me surge, seria do além?
Não, era a imagem de alguém;
Se esfumaçando no ar, gargalhadas;
Ergo a cerviz num salto, vejo uma dama...

Ergo-me da cama, vou até a porta;
Atravesso a soleira da mesma e estanco;
 A dama sumira, meus olhos não veem;

Nas costas uma voz e um arrepio também;
Me volto e nada vejo, estou louco ou abalado?
Tento voltar ao quarto mas uma mão me toca...

Fixo no chão como um poste, suo;
A mão se afasta e meu coração acelera;
Um sopro quente me atinge o pescoço;
Já não tenho dúvidas que estou louco!
Fecho os olhos e minha cabeça pesa;
Esperando o pior sinto um recuo...

Outra vez volto para a cama, deito;
Mais a visão outra vez emerge;
A mesma dama que vira antes;
Tonto pergunto: nós somos amantes?
Uma voz medonha reboa: ‘Espere’;
Ergo a cabeça e uma dor lancina o peito...

Vejo agora sua forma completa:
Olhos vermelhos, boca cor de amora;
Corpo pequeno, esbelto e cor de cobalto;
Meu rosto demonstra que estou no alto;
A forma se aproxima, seu olhar assombra;
Sinto a as pernas sumirem meu corpo deita...

Vejo a dama transparente surgir sobre mim;
Não sentia o peso do corpo no meu;
Sua boca se achegou na minha, entalo;
 Seu hálito era deveras doído, gelado;
Vi nos seus olhos a dor de quem sofreu;
Seus cabelos negros, tornaram-se cetim...

Vidrado naquela dama, murmurei algo:
Quem é você, o que quer de mim?
Talvez quem sabe possa eu a ti ajudar;
Seus olhos negros, amarelos forma ficar;
Tentei gritar, mas o fazer não consegui;
Sua boca se abria e me senti afogado...

De súbito a dama transparente desvaneceu;
Sentia ainda seu hálito gélido em mim;
Olho para os lados e algo me assombra;
Meus olhos veem um papel sobre a cômoda;
Grudado na parede, uma frase se lia ali;
“Vá embora! Foi aqui minha vida desapareceu”...

BY MAIRTON LIMA