À noite, sobre
minha cama;
Olhar fixo no
teto, mãos fechadas;
Uma visão me
surge, seria do além?
Não, era a
imagem de alguém;
Se esfumaçando
no ar, gargalhadas;
Ergo a cerviz
num salto, vejo uma dama...
Ergo-me da cama,
vou até a porta;
Atravesso a
soleira da mesma e estanco;
A dama sumira,
meus olhos não veem;
Nas costas uma
voz e um arrepio também;
Me volto e nada
vejo, estou louco ou abalado?
Tento voltar ao
quarto mas uma mão me toca...
A mão se afasta
e meu coração acelera;
Um sopro quente
me atinge o pescoço;
Já não tenho
dúvidas que estou louco!
Fecho os olhos e
minha cabeça pesa;
Esperando o pior
sinto um recuo...
Outra vez volto
para a cama, deito;
Mais a visão
outra vez emerge;
A mesma dama que
vira antes;
Tonto pergunto:
nós somos amantes?
Uma voz medonha
reboa: ‘Espere’;
Ergo a cabeça e
uma dor lancina o peito...
Vejo agora sua
forma completa:
Olhos vermelhos,
boca cor de amora;
Corpo pequeno, esbelto
e cor de cobalto;
Meu rosto
demonstra que estou no alto;
A forma se aproxima,
seu olhar assombra;
Sinto a as
pernas sumirem meu corpo deita...
Vejo a dama transparente
surgir sobre mim;
Não sentia o
peso do corpo no meu;
Sua boca se
achegou na minha, entalo;
Seu hálito era deveras doído, gelado;
Vi nos seus
olhos a dor de quem sofreu;
Vidrado naquela
dama, murmurei algo:
Quem é você, o
que quer de mim?
Talvez quem sabe
possa eu a ti ajudar;
Seus olhos negros,
amarelos forma ficar;
Tentei gritar,
mas o fazer não consegui;
Sua boca se
abria e me senti afogado...
De súbito a dama
transparente desvaneceu;
Sentia ainda seu
hálito gélido em mim;
Olho para os lados
e algo me assombra;
Meus olhos veem
um papel sobre a cômoda;
Grudado na
parede, uma frase se lia ali;
“Vá embora! Foi
aqui minha vida desapareceu”...
BY MAIRTON LIMA
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