
De volta à cidade de Juazeiro do Norte, Hermes adentrou na
rodovia principal e se aproximava já de sua cidade natal; ou melhor, natal não,
visto que ele não nascera ali, mas apenas morou lá por muito tempo. O veiculo
corria a 60 km por hora, certo vá lá, é uma velocidade baixa para uma
alto-estrada, porém devemos recorda-se que ele já adentrava na cidade, e nada
mais justo do que reduzir a velocidade.
Logo, Hermes
vislumbrou a placa de saudação da cidade, onde dizia: “Bem vindos à Juazeiro do
Norte, a capital da fé do sertão cearense”, ao lado a bandeira hasteada em uma
espécie de torre de três pés, uma bandeira de lados amarelo e azul, com uma
cruz de santo André branca e a imagem de dois leões ao centro.
Mas um fato intrigava o Hermes, que era o fato de as ruas
estarem desertas, embora fosse um dia da semana em que era comum o trabalho de
feirantes na cidade, visto que se tratava de uma quinta-feira. Hermes decidiu
avançar até o ponto onde a feira municipal se ajuntava naquele dia, toda semana
nas quintas-feiras se realizava a feira da cidade no paço de Juazeiro do Norte,
em frente ao mercado central da cidade. Para lá se dirigiu o Hermes em seu
carro.
Depois de algum tempo, avistara o paço em frente ao mercado
central completamente vazio e o que era mais espantoso: completamente
desarrumado como se ali tivesse havido uma briga de animais ferozes. Barracas
derrubadas, frutas e mercadorias espalhadas pelo local e um rastro de
destruição que se dirigia até a porta de entrada do mercado. Hermes se
aproximava apalermado de lá, já com a mão na arma que trazia na cintura. Havia
acabado de ser nomeado delegado da cidade, e não esperava encontrar a cidade em
tal estado.
O medo se aproximava dele a cada passo que ele dava para o
mercado destruído. Ao chegar à porta colocou a mão na mesma e a empurrou com a
arma já em punho, apontando para os lados, ultrapassou a soleira do local, e um
choque lhe veio com o que viu: o local estava banhado de sangue, e lá não se
abatiam animais nem se vendia carne, já que o açougue era a três quadras dali.
Foi andando para sair pelo outro lado do mercado, porém
quando estava próximo à porta dos fundos ouviu a sirene de sua viatura ser
acionada, aturdido, correu de volta por dentro do mercado para frente do
mercado, quando saiu do mesmo viu sua viatura com as sirenes ligadas e com a
arma pronta para a ação se aproximou da mesma.
Abriu a porta e viu que nada havia dentro do carro, e sendo
assim se prontificou a adentrar no veiculo, quando o fez vislumbrou pelo
retrovisor interno alguém se aproximando por trás do carro, sacou a arma e
esperou a pessoa se aproximar mais para abordá-la: “Dever ser um delinquente”
imaginou Hermes e lentamente foi abrindo a porta do veiculo e pondo o pé
esquerdo no chão fora do mesmo.
Ficou de pé encostado no veiculo e viu que a tal pessoa
estava agora andando do outro lado do carro que estava ao lado do seu. Percebeu
que era um homem sujo. Sendo assim Hermes gritou em tom de ameaça: - Parado, em
nome da lei! Encoste-se ao carro e não lhe farei mal algum, apenas lhe
revistarei – falava ele se dirigindo em direção da pessoa por trás do carro em
que o tal homem estava agora parado sem ação.
Logo se colocou
atrás do carro e ordenou a pessoa suja que estava a sua frente: - Mãos para
cima, e encoste-se no carro. Neste momento o homem lentamente começou a se
voltar para ele e Hermes recuou apavorado. O homem tinha o rosto totalmente
destruído, os olhos eram brancos como algodões, sua roupa estava rasgada e sua
boca era negra e os dentes amarelados. – Céus! – bradou Hermes já disparando
contra o ser acertando-lhe num dos braços. Hermes arregalou os olhos quando
ouviu a voz estranha do homem reboar pelos ares: - Miolos!
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