quinta-feira, 2 de junho de 2011

HORAS DE SAUDADE

Tudo vem me lembrar que tu fugiste;
Tudo que me rodeia de te fala;
Inda a almofada;
Em que pousaste a fronte;
O teu perfume predileto exala...

No piano saudoso, à tua espera;
Dormem sono de morte as harmonias;
E a valsa entreaberta mostra a frase;
A doce frase;
Que ainda há pouco lias...

As horas passam longas, sonolentas;
Desce à tarde no carro vaporoso;
Da Ave-Maria o sino, que soluça;
É por ti que soluça mais queixoso...

E não vens te sentar perto, bem perto;
Nem derramas ao vento da tardinha;
A cachola de notas rutilantes;
Que tua alma entornava sobre a minha...

E, quando uma tristeza irresistível;
Mais fundo cava-me um abismo na alma;
Como a harpa de Davi teu riso santo;
Meu acerbo sofrer já não acalma...

É que tudo me lembra que fugiste;
Tudo que me rodeia de te fala;
Como o cristal da essência do oriente;
Mesmo vazio a sândalo trescala...

No ramo curvo o ninho abandonado;
Relembra o pipilar do passarinho;
Foi-se a festa de amores e de afagos;
Eras ave do céu... Minha alma, o ninho!

Por onde trilhas - um perfume expande-se;
Há ritmo e cadência no teu passo;
És como a estrela;
Que transpondo as sombras;
Deixa um rastro de luz no azul do espaço...

E teu rastro de amor guarda minha alma;
Estrela que fugiste aos meus anelos;
Que levaste-me a vida entrelaçada;
Na sombra sideral de teus cabelos!...

BY KARYNA SOARES E MAIRTON LIMA

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