domingo, 19 de junho de 2011

POEMA DO LOBISOMEM


Eu sou inquieto assim;
Para te fazer um corte;
No elo entre a satisfação;
E a morte;
Sou o ofício indiscreto;
Do veneno;
Corroendo o nosso amor...

Deus a tenha!
Como disse meu coração;
Mais que apnéia;
Este sangue no copo de geléia;
Me alucina essa lua;
Este liquido cor de caqui;
E o mar o que mais quero;
Quando não espero;
É Deus que dá!

Minhas unhas;
Em garras transformadas;
Rasgam o peito;
Da moça apavorada;
Meia-noite;
E ao romper aquela porta;
Que a separa de mim;
Ela estará morta!

Não consigo me entender;
E essa angústia;
Hoje é boa companheira;
Na conversa;
Entre o Príncipe e a caveira;
Deduzi que a esperança;
É uma asneira;
Corroendo o amor...

Deus a tenha!
Entre amar e matar;
Não sobra espaço;
Quantas lâminas;
Rente ao meu abraço;
E cristais de cicuta;
Em meu beiço;
Vão matar quem eu mais quero...
Quando não espero;
É que Deus dá!

Nem a cobra coral;
Nem mesmo a cobra naja;
Dão o bote da prata que viaja;
Numa bala;
Entre a arma e o meu peito;
Acho graça em desgraça, dito e feito;
Sou meu matador...

BY MAIRTON LIMA

Nenhum comentário:

Postar um comentário